Vamos apoiar a Revogação do Acordo Climático de Paris 2015!

Vamos apoiar a Revogação do Acordo Climático de Paris 2015. Entre no site do Senado e votem
Problema ■
O “acordo climático” verificado em Paris e assinado por 175 países, em reunião da ONU, em 22 de abril de 2016, traz sérios problemas à soberania do nosso país. Absurdamente, a Câmara dos Deputados, em 12/07/2016, votou por UNANIMIDADE, que o Brasil deve aderir ao “acordo climático”, sendo um dos primeiros países a se pronunciarem sobre o tema, em caráter de “emergência”. Ressalta-se que: 1 – Dos 175 países, só 19 ratificaram o acordo (0,18% do CO2 global), sendo que EUA, Rússia, China, Índia e UE NÃO IRÃO ASSINAR a ratificação (só fizeram teatro simbólico na ONU)! 2 – Os países que se submeterem, como o Brasil está a fazer, ficarão sujeitos ao que for imposto pela formação da “Agência Ambiental Internacional – ICCC”, ligada à ONU; 3 – A Constituição Brasileira receberá adendos para permitir que a nossa soberania sobre o Estado fique afrouxada; 4 – Caso as metas estipuladas pelo ICCC não sejam alcançadas, estão previstas, conforme relatório Bruntland “A elaboração de um arranjo de aplicações de lei global… enfocando o papel de sanções econômicas, políticas e medidas militares”. (Rel. Bruntland, P-I, item 3).

https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=57224

Ciclonão com Direito à CCM de Rabeta, Por Prof. Dr. Ricardo Felício.

Para os pesquisadores da equipe Climageo que monitoram a ação sinóptica dos APMs (Anticiclones Polares Móveis) que estão a passear pela América do Sul/Estreito de Drake/Península Antártica, estes últimos meses de inverno têm sido promissores, principalmente em elencar mais evidências da Teoria Dinâmica da Escola Francesa, e seus desdobramentos, com passagens sequenciais de APMs que derrubaram as temperaturas fortemente, além de desencadearem processos de ciclogênese muito próximos da costa Leste da América do Sul.

Recentemente, próximo da última Lua Cheia, em 21 de agosto de 2016, tivemos o mar invadindo a orla de Santos, litoral do estado de São Paulo, onde a água adentrou pelos canais, tomou garagens de edifícios e destruiu a amurada da avenida da praia em frente à entrada do porto, diga-se de passagem, mais uma vez (Figs.01 a 03 e vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=htQSStSy7n8&feature=youtu.be). Isto já aconteceu diversas vezes, como em 2005, 2009 e 2013, só para lembrar as mais recentes (Figs.04 a 06).

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Fig.01: Fotografia da água do mar invadindo orla costeira do município de Santos – SP, em 21 de agosto de 2016 (Fonte: A Tribuna, Cláudio Vitor Vaz, 2016).

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Fig.02: Fotografia da praia de Santos – SP. Os ventos fortes, indicados pelas folhas das árvores, sopram do mar para o continente, o que reforça o fluxo de água do mar em sentido à orla da praia, em 21 de agosto de 2016 *PS: compare com a Fig.05  (Fonte: A Tribuna, Cláudio Vitor Vaz, 2016).

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Fig.03: Fotografia da praia de Santos, onde uma embarcação derivou em sentido à mureta de proteção da entrada do canal do porto, em 21 de agosto de 2016 (Fonte: A Tribuna, Tânia Angelotti, 2016).

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Fig.04: Fotografia da praia de Santos – SP, em situação semelhante a atual, mostrando que o fenômeno é recorrente na orla do município. Neste caso, em 09 de maio de 2005 (Fonte: acervo pessoal de aulas).

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Fig.05: Fotografia da praia de Santos – SP, na mesma ocorrência de 09 de maio de 2005, na orla do município (Fonte: acervo pessoal de aulas).

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Fig.06: Fotografia da praia de Santos – SP, na mesma ocorrência de 09 de maio de 2005, na orla do município (Fonte: acervo pessoal de aulas).

Não, não! Lamento, mas isto não é evidência do tolo “aquecimento global” e muito menos de que o “mar está a subir”. Trata-se de um efeito combinado da presença proximal de um ciclone extratropical – CET, que se originou pelo súbito deslocamento de um APM. O centro de baixa pressão, primeiramente alivia, mesmo que suavemente, o peso da atmosfera sobre o local. Isto facilita a sua elevação. Alia-se a isto o vetor dos ventos intensos que estão à soprar na retaguarda do CET, que no caso da costa Sul e Sudeste do Brasil serão do mar para o continente, concentrando as águas sobre as praias. Soma-se a esta “poção”, a ação das marés altas que ocorrem na Lua Cheia e Nova e assim, teremos a combinação de todos os fatores, gerando um sinal positivo, para que o mar “invada o continente”. Ação semelhante também foi e continua sendo vista na orla do Rio de Janeiro, principalmente nas áreas de aterro, que antigamente eram mar. Este fenômeno já é velho conhecido dos cariocas, como bem ilustra a Profª. Drª. Onça, ao evocar as sábias palavras do eterno “Maluco Beleza”, Raul Seixas, quando seu automóvel Dodge foi abalroado por uma onda da “ressaca”, em um dia típico de pós-passagem de um ciclone extratropical (https://www.youtube.com/watch?v=Z8WvET6pJOM). Isto aconteceu no passado, acontece hoje em dia e acontecerá sempre no futuro, então, novidade? Nenhuma!

Da mesma forma, o Prof. Dr. Castro e eu, em 2013, mapeamos alguns eventos na costa Oeste da América do Sul e lá encontramos a mesma situação, com passagem de APM sobre o oceano Pacífico, com fase de Lua Cheia ou Nova, formação madura de CET proximal ao continente, só que com ventos de vante, de Oeste para Leste, que criaram enorme acúmulo de água sobre a costa de Chile, atingindo principalmente a cidade de Viña del Mar, famosa pelos seus festivais de música, além de Valparaíso, uma das principais cidades costeiras do país. Entre vários casos elencados, destacamos os ocorridos no dia de 27 de maio de 2013 e entre os dias 04 a 08 de julho do mesmo ano (Figs. 07 a 09).

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Fig.07: Recorte de imagem do satélite GOES-12, canal infravermelho, dia 27, as 21Z (17h em Chile e 18h em Brasília, Brasil) exibindo um grande ciclone extratropical na fase C, madura, na costa Oeste de Chile. As proporções do sistema atingiram o interior do cone Sul da América do Sul, causando totais pluviométricos elevados. A seta azul indica a circulação dos ventos (Fonte: DSA, 2013).

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Fig.08: Fotografia do acesso à ponte inundado pela maré alta da praia de Reñaca, em Viña del Mar, logo após o período mais elevado do nível do mar, em 05 de julho de 2013 (Fonte: LA TERCERA, 2013).

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Fig.09: Fotografia da avenida da praia de Reñaca, em Viña del Mar, que apresentou pontos de alagamento, os quais atingiram alguns edifícios, em 05 de julho de 2013 (Fonte: LA TERCERA, 2013).

O que mudaria de Oeste para Leste da América do Sul? Em geral, aqui do nosso lado, raramente temos o CET em fase madura (ou fase C, segundo a classificação de Streten e Troup, 1973) sobre o continente. Comumente, tal maturação ocorre na parte Sul do oceano Atlântico, o que já é suficiente, dependendo de seu tamanho e intensidade, para realizar os estragos costumeiros, precisamente sobre a costa dos estados do Sul do Brasil. Quando tal maturação ocorre bem sobre a costa, por se tratar de um fenômeno de pelo menos 1500km de extensão, o setor mais intenso dos ventos atinge esta interface entre oceano e continente, estendendo-se os problemas. No caso, podem ainda se combinar com os fenômenos secundários de meso-escala da brisa terra-mar (aumentando em um sentido e diminuindo em outro). O que vimos, no dia 13 de setembro de 2016, foi exatamente esta situação (Figs.10 e 11).

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Fig.10: Mosaico estendido das imagens do satélite GOES-13 e Meteosat-10, composição colorida, dia 13, as 21Z (18h em Brasília, Brasil) exibindo um grande ciclone extratropical na fase C, madura, na costa Sudeste da América do Sul, com centro de baixa pressão atmosférico próximo do Uruguai, e banda de nebulosidade espiral sobre os estados de Sta. Catarina, Paraná e Sul de São Paulo, os quais foram atingidos por fortes ventos (Fonte: DSA, 2016).

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Fig.11: Mosaico estendido das imagens do satélite GOES-13 e Meteosat-10, canal infravermelho, dia 13, as 21Z (18h em Brasília, Brasil) exibindo o mesmo ciclone extratropical na fase C, madura (Fonte: DSA, 2016).

Os ventos da escala sinóptica são circundantes ao centro de baixa pressão atmosférica em superfície, que para o hemisfério Sul, giram no sentido horário. Assim sendo, na disposição geográfica em que se encontrou o CET, tivemos várias ventanias por todo o interior do estado de São Paulo até a costa, atingindo os municípios de Ubatuba e Caraguatatuba, primeiramente no sentido terra-mar, com leve calmaria após algumas horas e posteriormente, mais ao Sul do estado de São Paulo, chegando até o município de Santos e Guarujá, com ventos no sentido oposto, do mar para a terra. O alerta de novas “ressacas”, emitido terça-feira, dia 13, pelo Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas – NPH da Universidade Santa Cecília, em parceria com a Defesa Civil do município de Santos, e que será mantido até o dia 15 de setembro de 2016, quinta-feira, é de fato bastante relevante, além de ser extremamente prudente, pois novamente estamos chegando a outra combinação perigosa, com Lua quase na fase Cheia (marés já mais altas), CET maturado/dissipando bem na área costeira e a combinação dos ventos de retaguarda do sistema (Figs. 12 e 13).

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Fig.12: Imagem do satélite GOES-13, recorte América do Sul, composição colorida, dia 13, as 21Z (18h em Brasília, Brasil) exibindo com mais detalhes o grande ciclone extratropical na fase C, madura, na costa Sudeste da América do Sul (Fonte: DSA, 2016).

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Fig.13: Imagem do satélite GOES-13, recorte América do Sul, canal infravermelho, dia 13, as 21Z (18h em Brasília, Brasil) detalhando por este canal, o ciclone extratropical na costa Sudeste da América do Sul (Fonte: DSA, 2016).

Para encerrar esta singela avaliação, houve mais uma curiosidade atrelada à este CET. Avaliando-se a sua nebulosidade, através da imagem de satélite geoestacionário da série GOES, percebeu-se no final da banda nebulosa do CET, um sistema de meso-escala denominado de Complexo Convectivo de Meso-escala – CCM. Este sistema é composto por uma ou mais super-células de trovoadas, as conhecidas e temíveis nuvens Cumulonimbus – Cb. Em linhas bem gerais, o CCM difere de uma Linha de Instabilidade – LI, não só pela forma de deslocamento, mas pela apresentação visual e sua formação globular, onde as células de trovoadas permanecem agrupadas, podendo, especificamente, participar do processo de realimentação da formação da célula seguinte. Embaixo destas super-células, preparem-se para o caos. Não vou seguir aqui a linha do catastrofismo de nossos “colegas” aquecimentistas. Vou ser apenas realista. Tais sistemas são os fomentadores das maiores frentes de rajada (gust fronts, ou ventos fortes de superfície), com formação de nuvens rolo, tesouras de vento (windshears), além da alta probabilidade de ocorrências de micro-explosões (microbusters), nuvens funil, com tornados e trombas d’água. Estes fenômenos não são raros e podem ser observados no interior do Brasil, principalmente na faixa que vai do Mato Grosso do Sul, passando pelo interior de São Paulo, Paraná, e as vezes, até mais ao Sul. No caso do dia 13 de setembro de 2016, observou-se o CCM deslocando-se pelo Norte do Paraná, na rabeta do Ciclonão (Figs.14A e B).

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Figs.14A e B: Recortes de imagens do satélite GOES-13, setor regional Sul do Brasil, dia 13, as 21Z (18h em Brasília, Brasil). Esq. (A) composição colorida e Dir. (B) canal infravermelho. Note o CCM sobre o Norte do estado do Paraná que ocasionou pancadas de chuva e ventos intensos por onde se deslocou (Fonte: DSA, 2016).

 

Prof. Dr. Ricardo Augusto Felício

NÃO HAVERÁ MAIS LA NIÑA ?! Por Luiz Carlos Molion

Segundo os dados do Climate Prediction Center (CPC), atualmente o Pacífico está neutro. A previsão de consenso dos pesquisadores do CPC e do International Research Institute for Climate and Society (IRI) é que a chance de um La Niña se estabelecer a partir de agosto-outubro de 2016 é pequena. A previsão de consenso IRI/CPC é haja 55% de probabilidade que o Pacífico volte à neutralidade (Fig.1). Essa “previsão de consenso” é feita por modelos numéricos que  sabidamente não representam adequadamente os processos físicos que controlam o clima global e, portanto, suas previsões são altamente limitadas, tendo enormes chances de serem erradas.

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Figura 1. Previsão de El Niño-Oscilação Sul (ENSO, em Inglês) para a Região 3.4 do Pacífico até abril-junho de 2017. Barras: azul (La Niña), vermelha (El Niño) e verde (Neutro). Observe que a barra verde fica acima dos 55% (eixo vertical à esquerda) a partir de setembro-novembro de 2016.

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Figura 2. “Pluma” das previsões do ENSO Região 3.4. São 17 modelos dinâmicos e 8 modelos estatísticos. O início é julho 2016 (OBS). Note que cada modelo dá resultados diferentes. O do SCRIPPS (linha azul claro com quadrados) prevê um La Niña semelhante ao de 1998-1999.

Veja, na Fig.2, o gráfico das previsões mais recentes. Observe que, a partir da data em que as previsões foram feitas (ponto preto=OBS), cada modelo (listados na lateral direita) resulta em previsão diferente, formando o que é chamado de “espaguete”. Por exemplo, o modelo do SCRIPPS (linha azul claro com quadrados) prevê um La Niña semelhante ao de 1998-1999 mostrado na Fig.3 que usa os dados de anomalias de temperatura da Região Niño 3.4 do próprio CPC.

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Figura 3. Comparação anomalias de temperatura (ATSM) dos El Niños de 1997-98 com as do 2015-16 para a Região 3.4. O eixo horizontal é o número de semanas desde janeiro de cada período e, o vertical, as ATSM. Observe que as ATSM de 2015-16 praticamente se superpõem às de 1997-98.

 

Após junho de 1998, as ATSM persistiram negativas até janeiro de 2002 e o autor continua apostando que o La Niña vai ser semelhante ao de 1998-2001 e que pode persistir até 2019. Nos meses de setembro-outubro, as águas do Pacífico tendem a se aquecer e ter anomalias negativas menores porque o Sol está em cima dessa região. Porém, as águas sub-superficiais estão frias até cerca de 200 metros de profundidade em praticamente todo o Pacífico e a convecção (formação de nuvens e chuva) está começando a se estabelecer na Indonésia no período de outubro-novembro. Essa última situação deve provocar o abaixamento da pressão atmosférica na região da Indonésia durante esse período e acelerar os Ventos de Leste que, por sua vez, vão aumentar a ressurgência de águas frias no Pacífico Leste e Central, mantendo o La Niña após abril-maio de 2017.

Portanto, é necessário ter precaução com as afirmações que aparecem na mídia que “não há mais La Niña”, como foi veiculado pelo Canal Rural no dia 09/09/2016 (ver https://tempo.canalrural.com.br/noticias/2016-09-09/nao-havera-mais-la-nina). Em adição, a afirmação que aparece nessa notícia que “[A] atmosfera não se prende a rótulos. Seja fenômeno La Niña fraco, com desvio de -0,5°C, ou neutralidade com viés negativo de -0,4°C, -0,3°C, o padrão atmosférico seguirá o mesmo definido há alguns meses”, não encontra respaldo nos dados históricos de anomalias de climáticas. O conhecimento atual sugere que exista um atraso (“lag”) de 3 a 6 meses nas respostas dos outros oceanos ao processo El Niño/La Niña, dependendo de sua localização. A atmosfera é aquecida por baixo, ar em contato com a superfície, que é dominada essencialmente por oceanos (71%) na Terra. Se as TSM mudam em resposta ao processo El Niño/La Niña, o padrão atmosférico e o clima são forçados, pelos oceanos, a mudar. O Oceano Atlântico é a grande fonte de umidade para as chuvas do Brasil e os dados de agosto mostram que ele ainda está com anomalias de TSM positivas, o que sugere que o ano hidrológico 2016-2017, particularmente em seu início, será mais chuvoso que anos anteriores, embora os totais possam, ainda, ficar 10% a 20% abaixo da média dos últimos 70 anos em algumas áreas do país. Alerta-se o leitor para tomar cuidados com as notícias baseadas em resultados de modelos previsão pois, sejam eles dinâmicos ou estatísticos, geralmente erram!

 

Luiz Carlos Baldicero Molion é PhD em Meteorologia e pesquisador aposentado do INPE/MCTI e professor aposentado da UFAL/MEC.